PERFORMANCE, PRODUTIVIDADE E EXAUSTÃO: A SUBJETIVIDADE COMO CAMPO DE REPRODUÇÃO DO CAPITAL

  • Autor
  • Giovana Tiemi Tatesuji Marques
  • Co-autores
  • Rodolfo Rorato Londero
  • Resumo
  •  

    Quanto do sistema há em nós e quanto de nós reproduz o sistema?

    A ordem capitalística não apenas organiza a produção material da vida social, mas também produz formas de subjetivação, moldando a relação do sujeito com o mundo e consigo mesmo. Baseada na extração de mais-valor, ou seja, na exploração do trabalho, essa ordem assume, na contemporaneidade, novas configurações. Conforme aponta Bolaño (2002), o advento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) redefine os processos produtivos e comunicacionais, incorporando os sites de busca, os algoritmos, as plataformas de comunicação instantânea e as inteligências artificiais ao mundo do trabalho. Nesse contexto, fenômenos como bancos de horas, acúmulo de funções, metas atreladas à remuneração variável, terceirização e informalidade são resultado das adaptações organizacionais que foram intensificadas pelas inovações tecnológicas (ANTUNES, 2018). A lógica contemporânea se difere por preterir o desempenho, a performance e a capacidade de sustentar as demandas imediatistas e irrestritas do mercado, sem conceder muitas garantias ou perspectivas ao trabalhador (SAFATLE, 2015).

    Diante desse cenário, observa-se o deslocamento das formas tradicionais de exploração para modalidades mais difusas e internalizadas. A chamada “sociedade do desempenho” (HAN, 2015) institui uma dinâmica de autoexploração, na qual o sujeito se converte em empresário de si mesmo, exercendo simultaneamente as posições de agressor e vítima. Trata-se de uma violência sistêmica, exaustiva e de difícil percepção direta, com o intuito de atingir maior intensidade e produtividade no trabalho em prol do lucro. Assim, o problema que orienta esta pesquisa é: de que maneira a produção da subjetividade no capitalismo tardio contribui para a reprodução das novas formas de exploração do trabalho?

    Para responder a esta questão, propomos articular a teoria crítica do valor e a EPC à noção de subjetividade capitalística desenvolvida por Guattari e Rolnik (1996). Partimos da hipótese de que a naturalização da subsunção do trabalho ao capital não ocorre apenas no plano estrutural, mas também no âmbito da produção subjetiva, que legitima e reproduz culturalmente esse modo de vida. A pesquisa caracteriza-se como bibliográfica, de abordagem qualitativa, orientada pelo método dialético, buscando compreender que a materialidade não é puramente física e a subjetividade não é apenas ideia, elas são configuradas e configuram a história pela mediação do trabalho.

    A discussão preliminar indica que a separação entre economia política e economia subjetiva é insustentável, uma vez que “a subjetividade não se situa no campo individual, seu campo é o de todos os processos de produção social e material” (GUATTARI & ROLNIK, 1996, p. 32). Nessa perspectiva, a subjetividade não é mero reflexo da base material, mas dimensão constitutiva da reprodução social. Tendo em vista que a produção da subjetividade capitalística corrobora com a reprodução da injustiça social por meio da normalização de modos de vida que privilegiam o lucro sobre a dignidade humana, esperamos demonstrar que o enfrentamento das novas formas de exploração do trabalho exige não apenas transformações estruturais, mas também engajamento subjetivo (SAWAIA, 2014), comprovando que o campo da subjetividade é essencial para a compreensão e o enfrentamento da realidade material. 

     

  • Palavras-chave
  • Economia Política da Comunicação; subjetividade; capitalismo; exploração do trabalho; subjetividade capitalísitica.
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 6 - Teoria e Epistemologia da Economia Política da Comunicação
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